quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Dia 19

Saindo bem cedo para as ruas de Coimbra, um mercado (mais um) com bancas a fechar, acolheu o candidato presidencial com um (mais um) forte apoio. Não vemos muitos portugueses a insistir na tecla Cavaco, não vale a pena, já perceberam que não vamos lá com estes candidatos. O grande problema do País não é termos maus políticos, é já não acreditarmos sequer nos bons políticos. Saindo de Coimbra, fomos directos à Nazaré onde uma onda de esperança levou as várias varinas a pegarem em bandeiras de Nobre e gritarem “Nobre, amigo, a Nazaré está contigo”. As ruas adoram Fernando Nobre e este candidato é sem dúvida o mais humano de todos, alguém que traz genuinidade à política, uma alma nova. Nas Caldas da Rainha, também um bom apoio popular mostrou por que razão somos uma ameaça para os outros candidatos, por que razão Nobre pode e mudará o País, por que temos o apoio de todos.

É de notar a crescente mediatização deste candidato que enche o Bolhão, as ruas do Porto, o mercado da Nazaré, o País inteiro. Hoje, o Jornal Público deu a Nobre a temperatura máxima num barómetro diário de força de cada candidatura. Também se notou que a notícia de Fernando Nobre já aparece nas páginas iniciais.

Em Santarém vimos mais uma boa mobilização (apesar de não tão boa como desejavamos) para gritar “Nobre em Belém com o voto de Santarém”. Já é clara a força de uma candidatura de uma cidadania nova e forte em Portugal e já se pede segunda volta nos corredores desta campanha. É necessária a coragem de todos nós para convencer todos os amigos, colegas, conhecidos a votar Nobre.

Em Coimbra, cidade que tem mais encanto na hora da cidadania, Nobre fez um grande discurso no qual toda a plateia de mais de 400 pessoas (quem dizia que não temos enchentes?) se exaltou, vibrou e aplaudiu de pé de cada vez que Nobre terminava uma frase. Todos fomos arrebatados pela vivacidade e verdade que vimos na cara e nas palavras daquele homem. Nobre começou com “vou ter três conversas hoje”, a primeira com Alegre a pedir-lhe para desistir a seu favor, a segunda com Cavaco “Olá Professor Cavaco, daqui fala o Professor Fernando Nobre”, foi como começou e disse “agora é entre o senhor e eu” e o terceiro aos portugueses pedindo que se querem mudar precisamõs de votar Fernando Nobre, ninguém acredita que Cavaco ou Alegre podem agora mudar alguma coisa.

A campanha está a arder, como foi dito na campanha: “está à porta, está à porta, Nobre na segunda volta”.

Dia 18

Olá a todos!

Por demasiado trabalho, não pudemos postar os diários dos dias 16 e 17 e não chegaremos a postar aqui nada sobre esses dias.

Partindo da Póvoa do Varzim bem cedo, logo a grande comitiva do Porto veio apoia o Doutor Fernando Nobre quando este saiu para mar. De destacar que foi Nobre quem atracou a traineira, à primeira! Disse-nos o Mestre Festas que não é façanha para qualquer um.

Seguidamente visitou-se uma associação - Horpovarzim - e seguimos para o Porto imediatamente. Com uma chuva forte, foram cerca de duas centenas os apoiantes de Fernando Nobre que não arredaram pé e o ouviram no Mercado do Bolhão a fazer um dos melhores discursos desta campanha, totalmente improvisado. Com força, como sempre temos demonstrado saímos pela rua de Santa Catarina gritando, reclamando "O Povo vai votar e Nobre vai ganhar" ou "Nobre, amigo, o Porto está contigo". Na Festa da Partilha, na qual se ofereceram tripas à moda do Porto, Nobre mostrou o porquê de estar cada vez melhor a discursar e avisou que estavamos a caminho de uma segunda volta com o Doutor Cavaco Silva na qual vamos ganhar seguramente. O apoio e carinho que Fernando Nobre tem nas ruas só indica que a candidatura está a crescer, as pessoas já o conhecem e dia 23 Portugal tem condições para mudar mesmo de vez. Depende apenas e unicamente de nós.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Dia 15

Tem-se confirmado um ritual todos os dias de manhã: entrar na carrinha e cantar sempre
“Todo o país a votar
Todo o país a votar
Vota Nobre alé la la la la la
Sempre contigo alé la la la la la
Só eu sei porque não fico em casa”.
Rituais estranhos.

Saímos às 8:25 de Santarém, onde pernoitamos e fomos directos à fria Covilhã. É curioso o centralismo que temos na nossa sociedade. Temos tentado acompanhar as notícias na rádio e televisão quando andamos pelo país Fernando Nobre não é noticiado, pura e simplesmente, na maior parte das acções que faz, apesar da constante presença de televisões e rádios à sua volta. É o candidato com mais audiências numa Grande Entrevista, com mais fãs no facebook , com o primeiro lugar em várias sondagens online (sim, porque não aparecem sondagens na televisão e imprensa escrita pela primeira vez na história da democracia) e segundo nas restantes. Só pediamos um pouco mais de atenção, um pouco mais de tempo mediático. A campanha será ganha por nós na mesma, mas com o triplo, quadruplo, quintuplo do esforço dos outros candidatos. Obviamente alguém indeciso entre Cavaco e Nobre (que temos visto às dezenas) ou Alegre e Nobre votará no que for mais vezes mencionado, é como termos um convite para duas festas e a uma gostaríamos de ir mas o organizador não nos referia muitas vezes horas e datas e a outra tivesse um organizador chato, iríamos à festa do chato. E a culpa não é nossa de não sermos chatos o suficiente.

Por volta das 10 da manhã a fantástica Covilhã acolheu-nos do alto das suas brumas com tambores, um grupo muito activo da candidatura da Guarda e a melhor arruada até agora. Numa animada visita ao mercado até tivemos direito a gritos entoados pelos “Toca a Bombar”, um grupo de bombos que está habituado a animar as festas da Serra da Estrela. Parando o trânsito e convertendo pessoas (sim, a nossa missão enquanto jovens tem sido a da conversão nobrista do povo português, a distribuição de panfletos a toda e qualquer pessoa que se cruze). Em frente à estátua de Pêro da Covilhã, Nobre saltou para cima de um carro da campanha, pôs-se de pé e discursou lembrando a conquista portuguesa no mundo. Já se começa a tornar um hábito forte nesta campanha o apoio das pessoas à nossa candidatura e a simpatia de Fernando Nobre em falar com todas as pessoas que encontra. Tomando o rumo da Guarda foi boa a recepção no IPJ desta cidade onde nos aguardava uma declaração muito forte. Referindo-se no seu discurso ao boicote da imprensa a tudo o que faziamos na rua, foi muito forte a crítica ao jornal Expresso que, após uma semana de candidatura, não publicou UMA notícia sobre nós (à imagem, diga-se do jornal i). Um descuido que lhes custou uma queixa na Comissão Nacional de Eleições e um lugar de destaque nos notíciários da concorrência. Se havia dúvidas de que nos queriam silenciar, esta é a prova e esta notícia trouxe um alento enorme a todos os que acompanhamos diariamente esta luta. É curioso que, após esta declaração, em Vila Real, tivemos uma atenção maior dos media e não foram tão incriminatórias as perguntas. Curioso simplesmente...

Nesta grande cidade do norte, a real vila, fomos recebidos pelos cabeçudos, ícone fantástico de Trás-os-Montes. Abrindo caminho para a comitiva, fomos desbravando, sempre a pé, todas as ruas mais movimentadas da cidade, recebendo um apoio muito grande da população. A título de exemplo, nos primeiros 100 metros parámos mais de vinte vezes para falar com a população (maioritariamente do PSD, diga-se) que nos interpelava para dizer
- eu voto Fernando Nobre
- o senhor mude-nos este país
- dê-nos esperança. Eu não voto Cavaco, o homem não fez nada pelo País.

Após um dia cansativo de arruadas e emoções à flor da pele, em que Fernando Nobre usou a gravata que ontem lhe tinham oferecido na empresa Nova Cortiça, tivemos um jantar descontraído e intimista, fechado à comunicação social e, por ser a jornada nocturna mais calma, tivemos festa à noite, uma saída que já todos estávamos a precisar. Amanhã é outro dia.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Dia 14

Arrancando ligeiramente mais tarde do que o normal, por volta das 10 arrancámos do Hotel em direcção ao Paço Episcopal de Faro. Não se pense que dormimos muito mais, pois chegámos por volta das 2 da manhã e o sono não foi muito. Reunindo as tropas na praça em frente ao Paço, cedo nos pusemos no terrenos a distribuir panfletos por todas as pessoas que conseguimos, todos os carros, todos os museus e empresas como a Águas de Portugal que aceitou cerca de 50 panfletos nossos para distribuir na empresa e nas pessoas que entrarem. São sinais de mudança sem dúvida, sinais de uma esperança que está a ser devolvida aos portugueses.

Seguimos para o Campus da Universidade do Algarve onde falámos com o reitor, visitámos o Campus e fomos apoiados pelo Presidente da Associação de Estudantes que votará Fernando Nobre. Ainda houve tempo para falar com imensos jovens que são na sua grande maioria indiferentes a política. Já temos assistido a debates com jovens muito combativos mas infelizmente é generalizado o descontentamento. Feliz só a notícia de que muitos conhecem Fernando Nobre e o valorizam e de que não ouvimos um jovem dizer que votaria Cavaco Silva nem Manuel Alegre nem qualquer outro candidato de esquerda ou de direita. Os dias parecem maiores numa campanha. O contacto pessoa a pessoa, porta a porta, a combatividade e união que todos mostram e o número de eventos que fazemos iludem-nos de que o dia terá mais horas. São neste momento 2:20 da manhã e ainda se debate apesar de haver já cabeças encostadas e respirações mais (pro)fundas.

Almoçámos no outro Campus da Universidade do Algarve com uma GRANDE comitiva jovem. Permitam-me mais uma nota: até hoje o número de pessoas que recusam um panfleto com a cara do nosso candidato e as dez principais razões pelas quais devemos votar nele conta-se pelos dedos das mãos, literalmente. A simpatia perante Fernando Nobre é generalizada e a sua humanidade é tremenda e notória sempre que fala com as pessoas. Não estivéssemos num país democrático e seria estranho não haver sondagens, haver certos casos da nossa campanha no terreno ocultados nas edições e certas pessoas que nos apoiam mas não publicamente. Pelo que vemos, o país quer esperança e já percebeu o que Fernando Nobre quer para cada um de nós: empenho, solidariedade, entreajuda, união, patriotismo, empreendedorismo, entre tantos outros pilares da cidadania. Após o almoço, em São Brás de Alportel visitámos a fábrica da Nova Cortiça - empresa de topo do sector no Mundo, com exportações na ordem dos 60% e facturação de 5 milhões. Aqui, mais um momento lindo de campanha. Um grupo de 47 trabalhadores e dois patrões a carregar as bandeiras de Fernando Nobre, tirar uma fotografia e dar mais alento ainda a uma campanha de todos os portugueses. Seguimos para a Algardata, empresa líder no sector do software de gestão, exemplo quase único em Portugal de uma iniciativa ousada e que está a concorrer com o mercado indiano por exemplo. Há muitos exemplos de excelência no nosso País. Falta o apoio das entidades oficiais e a valorização da marca made in Poe rtugal.

Em Faro, com mais um jantar lotado para acolher a Candidatura da Esperança preparámos a logística que ainda era necessária e uma ovação acolheu Fernando Nobre à entrada do restaurante que durou até se sentar na mesa e começarem as intervenções. Com um discurso empolgante (um estilo que Nobre tem cimentado como imagem de marca), a mensagem de hoje foi para os jovens. Afirmou que a candidatura era dos jovens (vejam em http://www.youtube.com/watch?v=JmDYTOc2YZI), que temos que nos erguer por Portugal, que valia a pena mudar o País, que ainda há esperança, que nos está a abrir uma porta para nós conseguirmos recomeçar Portugal, a nossa geração tem que honrar “os nossos egrégios avós” como afirmou. É uma pena que as reportagens que apareçam na comunicação social apareçam apenas e só com as piores partes do seu discurso, falta chegar ao País a veemência do seu discurso, a sua genuinidade, autenticidade, carisma, verdade, coerência, simpatia, vontade, força e coragem.

À saída, estava por perto quando uma amiga se chegou ao pé do candidato e disse
- continua Fernando, com essa força toda e coragem, sem medo
- se não tivesse coragem nem valeria a pena ter-me erguido.

Quatro horas de viagem e finalmente uma cama no final de um longo dia. Este grupo está cada vez mais coeso, cada vez TODOS acreditamos mais, cada vez vemos mais pessoas nas ruas e cada vez vemos mais concretizada uma segunda volta.

Dia 13.

Numa manhã de nevoeiro, partimos de Lisboa para Beja, sendo obrigados a deixar em Lisboa os companheiros Frederico Brandão e o “Bonitão” Venes, para grande tristeza de todo o grupo. Uma hora e meia de caminho levou-nos a este Alentejo interior de pessoas simpáticas. Já em Beja, foram imensas as pessoas que afirmaram mais uma vez votar em Fernando Nobre, que distribuiram beijinhos e palavras de força e apoio, que se juntaram a ele num café, que nos fizeram sentir completamente recompensados. Pena é o encerramento do comércio tradicional, as queixas do centralismo de Évora no Alentejo, o envelhecimento da população (só para amostra diria que em cerca de 200 pessoas que vimos no máximo 30 eram jovens até os trinta anos), a fila à porta do centro de emprego e a desilusão que reina entre quase todas as pessoas que vemos - seja em Beja, em Évora, em Portalegre, em Almada, em Lisboa, na Figueira da Foz, em Viseu, no Porto. Após uma reunião com o único autarca de capital de Distrito que apoia Fernando Nobre - o Presidente da Câmara de Évora, do PS - partimos para mais uma arruada pelas ruas, que acabou com o nevoeiro cerrado que ainda havia quando começamos. Almoçando num restaurane da cidade, bandeiras às costas e sorrisos nos rostos, ouvimos Luís Castro Osório a agradecer-nos, em nome de Fernando Nobre, a convicção que temos nele e a força que temos demonstrado. Disse também, e friso, que mesmo cerca de 10% dos votos é uma vitória assombrosa, abre precedentes que ninguém esperava e obrigará a rever toda a política em Portugal. É essa a nossa força, a nossa vontade e dia 23 lá estaremos, mais uma vez, unidos para festejar qualquer resultado que seja. Será sempre uma vitória.

Logo de seguida partimos para a belíssima e calma Portalegre, no alto de um monte com as nuvens na base. Logo à chegada visitámos o Museu de Tapeçaria com peças importantíssimas e um espólio único em Portugal e no Mundo, À saída o momento mais comovente da campanha até agora: um senhor com 87 anos chegou perto de Fernando Nobre e abraçou-se a ele, a chorar. Disse “se fosse por mim você já lá estava há muito tempo” e pediu “Doutor, dê-nos esperança”. Andámos pelas ruas da cidade, visitando centro histórico, passando por todas as lojas, falando com quase todas as pessoas, uma verdadeira campanha porta-a-porta. Saíndo de Portalegre e da sua calma imperturbável após Fernando Nobre muito elogiar o centro histórico (e insistir na necessidade de reabilitação de espaços como estes que estão cada vez mais degradados mas conservam em si um potencial turístico enorme) dirigimo-nos para Évora para mais um jantar com apoiantes. Com um discurso incendiado de Paco Bandeira - falando de pessoas como Marcelo Rebelo de Sousa que sempre elogiaram Nobre mas quando chegou a altura o deixaram de mãos a abanar, de falsos amigos, de interesses instalados, de muito que já todos conhecemos mas queremos não crer - começou esta jornada nocturna onde ainda teriam espaço o Mandatário Distrital de Évora e Fernando Nobre, desta vez rodeado de jovens que muito o apoiaram, muito fizeram por empolgar a plateia e muito deram para o sucesso de um discurso simplesmente SOBERBO sobre a política do amor que temos, sobre os plágios que vemos nas outras campanhas, sobre a necessidade de sermos autênticos e sobre a voz forte e vibrante que estamos a espalhar pelo país. Não me prolongarei sobre este discurso pois podem visitá-lo no facebook e vê-lo na integra no site da candidatura. Hoje apareceu uma nova palavra de ordem num brainstorming feito na carrinha quando nos dirigiamos já para aqui, Faro, para o Hotel Monaco: “Queremos a Mundança, Nobre é a Esperança”.

Tem sido para todos nós um prazer acompanhar esta candidatura e conviver com um homem como Fernando Nobre. Todos o admiramos cada vez mais, todos lhe queremos cada vez mais bem, todos sentimos na rua o pulso de Portugal e digo-vos, esta candidatura é um facho de fogo na noite escura, uma luz não ao fundo mas já a meio do túnel, uma força da natureza que não parara até chegar à vitória. Termino com uma declaração do nosso candidato: “Os Portugueses não são burros. Os Portuguese já tiraram a fotografia e sabem em quem vão votar dia 23”. Até à vitória, sempre.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

12 de Janeiro

Hoje começa o Diário da Caravana da Esperança, o grupo de jovens que vai estar a tempo inteiro com Fernando Nobre.
O grupo é composto pela Maria João “Papoila”, Pedro “Cinema”, Diogo Gaivoto, Frederico Brandão, Frederico “Grandalhão”, Diogo Silva, Catarina “Chefe” Silva, Catarina Cunha, Francisco “Bonitão” Venes e Filipe “Cuspidor de Fogo” e o nosso grande motorista Joaquim “El Comandante” “RA” Afonso. Um grupo deveras interessante :D

Começando no Cais do Sodré, logo hoje a caravana entrou Metro adentro até Arroios, num mar de gente. É incrível a quantidade de portugueses que deixaram o carro para abraçar este transporte (não diria que o fazem para não danificar o ambiente, há aqui uma inegável questão financeira de milhares de pessoas que passaram a usar transportes públicos em detrimento do seu transporte individual). Atolados, subimos à superfície para mais uma vez entrar num autocarro da Carris lotado até à sede da RTP (Rádio Televisão Portuguesa) para mais uma bela entrevista na Antena 1. Nobre afirmou de novo não ser dono de votos de ninguém - não vai dar intenção de voto aos seus votantes caso haja uma segunda volta -, acção que mostra como temos um candidato de carácter, dignidade, livre e independente, alguém que vê na cidadania o valor mais importante da democracia. Curioso foi o episódio contado pelo seu irmão: em Bruxelas, os Portugueses eram muitas vezes humilhados, diminuidos, tidos como menos inteligentes. Fernando Nobre, como melhor aluno do seu curso, irritava os professores e a dado dia um destes disse-lhe num claro tom de desafio "Fernando, ajoelha-te","Sem pestanejar, o meu irmão disse-lhe veementemente "Nenhum português jamais se ajoelhará perante um belga ou qualquer outro cidadão do mundo que o tente humilhar"".

Frutífera foi também a distribuição de panfletos na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa. À imagem de outros dias não ouvimos UM jovem a afirmar votar noutro candidato, não ouvimos um jovem a dizer não gostar do Dr. Nobre. Em contrapartida, é alarmante a indiferença da nossa população perante estas eleições, perante estas políticas, perante este País. Estamos nas mãos dos políticos que estão no poder pois cada vez menos pessoas votam e estes acabam por se reger a eles próprios. É URGENTE credibilizar a política, actividade que há mais de 2000 anos, na Grécia antiga era entendida como o mais alto expoente de cidadania, eram os políticos os cidadãos mais respeitados. Regredimos neste factor, sem qualquer dúvida. Ainda assim, é geral a simpatia perante o nosso candidato, o reconhecimento do seu valor pessoal e isso é sempre um mar de esperança dentro dos voluntários desta campanha. O país ainda é das pessoas, a decisão ainda é nossa.


Numa conferência, na Faculdade acima referida, Nobre frisou a sua experiência na Amnistia Internacional na Bélgica enviando cartas para países pelo mundo fora que tratavam presos políticos como doentes psiquiátricos. Questionava-se "para que servem estas cartas que eu envio?" mas acabou por ver nelas os resultados que queria e a força que os cidadãos comuns têm quando se juntam e mobilizam para um determinado fim. Afirmou a existência de três pilares fundamentais da sociedade: Estado, Mercado e Sociedade Civil. "Temos que harmonizar os três. Sendo a harmonia o equilíbrio de coisas instáveis, qualquer abuso de uma destas partes descamba para uma ditadura militar, financeira ou uma anarquia." É necessária interacção e coesão entre esta tríade. Têm que estar ao serviço da segurança e harmonia das pessoas, frisou. Falou de dados, mais do que da sua experiência, dados como " a injecção de dinheiro nas sociedades financeiras superou no mínimo 20x o que foi injectado nos programas de desenvolvimento para os países que chamamos os "menos
desenvolvidos" dos últimos"... Agora adivinhem: 5 anos, 10, 20? "(...)cinquenta anos!".
O factor fundamental da cidadania é o voluntariado, disse Nobre. "Este devia ser um dos factores para medir os ÍndiceS de Desenvolvimento". É fundamental reforçar o pilar da solidariedade. "Estou convicto de que nós cidadãos não nos podemos demitir das nossas responsabilidades (...). Todos nós enquanto seres humanos capazes podemos intervir a nível da solidariedade". No final da sua intervenção foi enorme a salva de palmas que o acolheu. Ouvimos ainda igualmente Cristina Margarido (Banco Alimentar de Setúbal) que concluiu a belíssima apresentação com uma frase que muito se adapta à nossa campanhã; António Pires (pároco da Costa de Caparica) falando do regresso à pobreza de muitas famílias e do aparecimento de crianças na rua e Rita Margarido (GEOTA) sobre a responsabilidade ambiental de cada um. É este o país das pessoas, é no terreno que a nossa candidatura prima pois temos um dos homens mais pragmáticos do país. À noite num esgotadíssimo Gimnodesportivo “Os Vinhais”, em Tires, preparámos e vimos uma das recepções mais entusiásticas desta campanha. No seu discurso, Margarida Pinto Correia lembrou-nos o hino da campanha perguntando repetidamente “De quem é esse caminho?” e sublinhando diversas vezes a necessidade de TODOS nos empenharmos nesta candidatura e divulgarmos. Seguiu-se Luís Represas com um discurso bastante forte sobre as razões pelas quais apoia Nobre. Falou-nos de um homem de acção, de um homem que ia até ao fim do mundo pelo nosso país, no fundo, do homem que já todos nós conhecemos. Ainda houve tempo para Isabel Soares (filha de Mário Soares) discursar e veio a vez de Fernando Nobre num dos seus melhores discursos até hoje. Entre afirmações peremptórias, destacaram-se “jamais alguém humilhará o meu País” (referindo-se ao silêncio de Cavaco Silva aquando das provocações do Presidente Checo), “eu sou o único candidato que vencerá Cavaco numa segunda volta”, “está na hora de recomeçarmos Portugal” e "Manuel Alegre e Cavaco Silva são candidatos do passado. Eu sou O candidato do FUTURO!". É grande o entusiasmo que povou aquela sala e podemos afirmar, sem dúvida alguma, que somos uma candidatura em crescendo. Os presentes saudaram o candidato com várias palavras de ordem como a inventada pelos jovens “dia 23 Portugal muda de vez” ou “com Nobre a Presidente Portugal será diferente”.


É um homem de acção mais do que de esquerda ou de direita. Quando o ouvimos não são palavras ocas que ouvimos, são lições de vida, de uma vida de luta e cidadania. Hoje falou-nos da sociedade que queria ver no nosso País. Uma sociedade mais activa e interventiva. O que Luís Represas disse ajusta-se perfeitamente: “Fernando Nobre é o único candidato que estaria disposto a abdicar de um voto para si para conquistar um voto noutro qualquer de alguém que se fosse abster. Isto mostra o valor deste homem!”.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Nestes dias penso que o meu esforço valeu a pena

Uma amiga minha mandou-me esta mensagem no Facebook. Vale a pena meditar nisto e perceber que ainda há realmente muito boa gente no nosso país, eu acredito inclusivamente que na maioria somos realmente boas pessoas. Falta-nos é esse bom coração por vezes para acreditarmos numa candidatura como esta.


Aqui vai:
"Agradeço te teres vindo sempre a informar toda a gente e por mostrares um apoio tão intenso a um candidatado que sem dúvida merece ganhar. Mas na verdade acredito que te estas a esquecer de algo fundamental, algo que mais nenhum candidato possui, para além do Fernando Nobre; a humildade e a nobreza de espírito.

O Fernando Nobre é um ser humano verdadeiramente bondoso e altruísta o que o terá levado a criar uma fundação que ajuda as pessoas que precisam sem esperar retirar algum proveito disso. Não acredito que ele seja adepto de futilidades e aparências não acredito que se preocupe sequer com o que as pessoas pesam dele. Na minha opinião ele apresentou esta candidatura apenas para alargar a sua capacidade de ajudar os outros, de poder ajudar mais pessoas. Ele é alguém que despensa apresentações, pois as suas acções valem mais do que todas as palavras e campanhas que se possam fazer sobre ele. Deve ser isso que deve levar as pessoas a votar nele, a capacidade de diferença, a sua perseverança de espírito.

Não há nada que possa destruir essa imagem imaculada por mais casos “BPN” que se revelassem contra ele neste momento. No que se deve apostar é no seu trabalho nos verdadeiros momentos. A intervenção da AMI junto dos que mais precisam, por exemplo. Esta é apenas a minha opinião resolvi partilha-la contigo porque acredito poder fazer a diferença. Toda agente precisa de esperança neste momento só precisa de se mostrar que ela existe, que se pode acreditar nela e que a política não se resume apenas a pessoas com poder económico e egoísmo. Que ainda existem pessoas que se preocupam com os outros e estão dispostas a ajudar sem receber nada em troca. Que o Fernando Nobre é uma porta amiga para quem poça precisar dela. Que ele apesar de ser invisível aos olhos de todos é o essencial neste momento. Espero ter podido ajudar e continua a fazer o excelente trabalho que tens feito.

Se precisares de alguma coisa é só avisares eu terás todo o meu apoio."

Nestes dias penso que o meu esforço valeu a pena.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Três visões, três vontades, três atitudes, três verdades

Olá a todos!

Vale a pena ler esta conversa. Percam só 10 minutos a assistir a este debate entre três amigos que se respeitam mas têm opiniões bastante diferentes no que toca a candidatos presidenciais, embora tenhamos os três a mesma vontade de agir, de mudar alguma coisa, de exercer uma cidadania activa.

Divirtam-se ;D

(cliquem no título da mensagem)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Apelo à democracia

Maltinha,
Isto é mesmo muito importante. Estamos a menos de um mês das eleições presidenciais de 23 de Janeiro. Precisamos de Voluntários para as mesas eleitorais - cidadãos e cidadãs que aí queiram representar esta Candidatura da Esperança e da Cidadania – e PAGAM-VOS 75€ (o Estado). É um trabalho de um dia (+/- das 8h às 20h) que, para além de ficar bem no vosso currículo, ajuda em muito a que não haja as chamadas “aldrabices” que todos ouvimos falar – como votos em branco preenchidos com cruzinhas após a hora da votação pelos responsáveis da mesa de voto, votos num determinado candidato anulados à minima coisa…


Principalmente em locais rurais e isolados é necessária esta fiscalização, são locais onde só devem haver mesmo os três representantes minimos necessários para a existência de uma mesa de voto e onde há menos fiscalização. Por isso, se tiverem amigas ou amigos que estejam dispostos a ir podem sempre contactar-nos.
Respondam o mais rapidamente possível,
Abreijos a tod@s,
Diogo

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Agarra-te

Falamos da vida como se não nos pertencesse.
- a vida está difícil
- a vida rouba-nos os sonhos
- a vida é tramada

Não percebo. Não é a culpada de nada, é apenas a sucessão de acontecimentos da nossa existência
A vida não é ela, é eu.
É minha.

É urgente agarrar-mo-nos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pêlos

Meus caros,

como todos devem saber o meu cabelo apresenta-se regularmente entre o loiro e o castanho. Todos os pêlos do meu corpo (não imaginem de mais por favor) estão também entre estes dois tons. Afigura-se-me então um facto curioso. A minha dúvida é a seguinte: o ruivo está entre estes dois tons ou não?

Medicamente falando, nunca me foi detectado albinismo. Como sabem, é da moda usar barba e eu, como modamente actualizado que tento, e friso tento, ser, decidi deixar crescer a penugem que há em mim pela face que vós vêem quando casualmente me encontro com vossas excelências. E não é que me cresceu, cheio de pujança diga-se!, um tufo de barba ruiva no canto inferior esquerdo do queixo?

Venho aqui expressar publicamente a minha indignação perante tal facto e pedir a Deus que me restitua a cor "entre o loiro e o castanho" que me caracteriza e tanta fama me tem dandos pelos 4 cantos... da minha casa.

Obrigado e bom dia a todos!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Conselho de Estado jovem

Ontem estive num espectáculo de stand-up comedy no Teatro da Trindade, às 19h. Perante uma assistência de 400 pessoas (teatro praticamente cheio), Luís Filipe Borges, António Raminhos e Nilton fizeram uma plateia inteira rir do Estado do País. Perante o pessimismo que se alastra, é sempre importante trazer de volta os sorrisos aos Portugueses. O que me espantou foi a receptividade com que estas 400 pessoas (na sua grande maioria jovens - não fosse esta uma acção da Coordenadora da Juventude) receberam a mensagem de Fernando Nobre.

Depois de anunciar "Nascerá comigo um outro Conselho de Estado, de consulta informal do Presidente, um Conselho de Estado virado para o futuro, em que todos os seus membros terão menos de 35 anos", foi mais longe e, apesar de afirmar que nada tem "contra um Conselho de Estado feito de senadores e com um passado brilhante" disse ainda "quero ter comigo um Conselho de jovens que tenham mais futuro do que passado, que tenham mais energia e menos cinismo, que tenham mais coragem e menos medo". É esta a coragem que precisamos nos dias de hoje. É este o caminho que temos que seguir. Todos estamos fartos de políticos com pó, as mesmas palavras de sempre e os mesmos resultados.
-temos tido boas intenções na política em Portugal?
Diria que sim, mas a prática não tem acompanhado essas intenções. As "promessas de político" são ridicularizadas, tidas como algo pejorativo, e não têm credibilidade num País que precisa de mudar muito.

- o futuro é nosso, dos jovens. No passado já outras gerações tiveram a oportunidade de tornar Portugal num País maior. Por muito que tenham tentado, muitos desperdiçaram essa chance. Hoje é a nossa vez, o nosso tempo, o NOSSO momento.

Fico com pena apenas da falta de divulgação na Comunicação Social destas medidas anunciadas e de uma acção de Campanha que, arrisco a dizer-me, nunca teve nada similar no passado. Correu bem. Faremos mais e iremos mais longe com as nossas ideias inovadoras, a nossa vontade de mudança, a nossa inexperiência com vontade de aprender aliada à experiência de muitos. Se o dia de ontem foi um sucesso não foi devido à presença de personalidades famosas ou ao empenho destes. Foi devido a anónimos, cidadãos portugueses e participativos, que não querem defraudar as expectativas daquele que é para mim o melhor candidato de sempre à Presidência da República.

É impressionante como todos dizemos mal dos nossos governantes
- só fazem porcaria
- são todos uns sacanas
- aldrabões
- mentirosos
- damos-lhes a oportunidade de governar e deixam o País na miséria
mas quando nos dão um voto para a mão, quando nos dizem
- agora é a TUA vez de decidir
nós limitamo-nos a fazer o que sempre fizemos e, ou nos deixamos em casa, ou elegemos os mesmos. É uma incongruência enorme que simplesmente não compreendo. Não comprariam na praça um peixe que sempre disseram ser de péssima qualidade. Não adeririam a um tarifário que sempre afirmaram ser o pior do mercado. Não escolheriam para vosso amigo a pessoa que sempre odiaram. Porque elegem então para vosso representante a pessoa que sempre disseram ser a pior ou que é um responsável directo pelo estado de Portugal?

Fico aqui, sentado a um computador, pasmado, à espera que um dia o País acorde. Até lá, resta-me ir denunciando isto e tentando despertar os que me rodeiam. Façam vocês também a vossa parte e pode ser que a 24 de Janeiro acordemos virados com a cabeça para o futuro em vez de ter os pés assentes num passado recente que se apresenta lamacento...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

José Régio e essa luta infindável

De um poeta que possuía na voz toda a força de alguém que luta sem fim por algo que sabe que não atingiria, de alguém que se prestava a um esforço maior do que permitia a sua humana condição, de alguém que apesar de lunático era lúcido na sua vertigem de querer ser maior. Carregamos nas costas a herança de poetas como este mas poucas vezes os lemos e valorizamos. Sou por um País em que sejamos letrados em relação aos que nos precederam neste cantinho da Europa, aos que tornaram Portugal maior
- obrigado poetas, navegadores do outrora, "desbravadores de florestas virgens".
Eu vos louvo, mas mais que louvá-los peço a ti Deus, em que não creio, para que nos dês um amanhã em que a vontade cívica de participação supere a nossa não-vontade, em que as vozes críticas movam multidões e gerem revoluções silenciosas de mentalidades, também nós temos oportunidade de acertar onde os nossos avós falharam. Temos hoje mais desafios do que alguma vez tivemos e sei que podemos vingar hoje e não amanhã. Quero acordar daqui a vinte anos e ver que o que hoje disse é uma profecia e não um desvario de um mero jovem. Quero acordar e orgulhar-me de ser Português.
- olá amanhã, que tens para me dizer?


Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!


Poema do Silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.


Amanhã será melhor se todos fizermos por isso.
Diogo

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nota pessoal de Fernando Nobre


Não devia divulgá-lo, mas Fernando Nobre deixou-me a seguinte mensagem na caixa de correio electrónico.

Meus Queridos e Bons Amigos:
Apresentei a minha candidatura há 9 meses e faltam 2 para as eleições que serão decisivas para Portugal, os Portugueses, os Lusófonos e todos os que vivem entre nós.
Até agora já dei tudo o que tinha - poupanças, hipoteca, penhora - e o que não tinha - empréstimos a familiares.
É o esforço de toda uma vida, minha e da minha mulher, em prol de um desígnio para o nosso País que tudo merece.
Só assim foi e será possível garantir o que sempre disse que faria custasse o que custasse: ir até ao fim.
Continuarei a dar tudo, mas tudo mesmo, para alcançarmos o melhor resultado.
Ja não há retorno possível.
Nesta caminhada ganhei centenas de milhares de amigos mas também perdi alguns que pensava fiéis, há décadas. Também constatei que muitas promessas, feitas nesta luta, se foram com o tempo e o vento.
Sem a minha mulher, meus filhos, meus irmãos, alguns fiéis que não me abandonaram nunca e com todos vós, nada teria sido possível.
As assinaturas são disso prova.
Agora peço-vos por favor nesta recta final : dêem os vossos donativos que são necessários e essenciais,não esmoreçam, sejam activos, criativos e imaginativos.
Passem a mensagem pessoa a pessoa, folhetos nos carros e caixas postais, artigos em toda a imprensa...em defesa da nossa causa!
Esta é a VOSSA campanha e para mim não se repetirá.
É a campanha mais poupada de toda a história da nossa Democracia .
Que muitos espantará quando, um dia, se escrever sobre ela.
Outros insultos, ataques, mentiras, silêncios e difamações virão, como os que já recebemos.Ou até piores.
Mas acreditem neste vosso Amigo e Cidadão.
Chegou a hora de por "fogo à peça".
Vamos para a luta e em frente, sem medo, até à vitória dos nossos valores, da Cidadania, dos Portugueses e de Portugal.
Abraço forte deste vosso amigo para sempre.
Fernando Nobre
Percebem agora porque é que não se paga uma sede de campanha? Foi uma estupidez alugar algo tão grande mas falta sem dúvida o apoio partidário e os fundos de que as outras candidaturas beneficiam... É assim que se faz política no nosso país quando não se é partidarizado: dando tudo e recebendo pouco em troca (nomeadamente a ignorância dos meios de comunicação). Se acham que vale a pena apoiar esta candidatura divulguem esta mensagem pois é isto que realmente se passa, são estas as razões (legítimas) para se ter como nosso pertence apenas e só uma sede de candidatura e mesmo essa estar a ser alvo de endividamento.
"Nem que seja preciso andar sozinho com uma bandeira na rua!"

domingo, 14 de novembro de 2010

Algures por cima do arco-íris... (Somewhere over the rainbow)

Na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
estão quinhentos mortos com os olhos abertos.

A morte, num sopro, colheu-os aos molhos.
Nem tiveram tempo para fechar os olhos.

Eles bem sabiam dos bancos da escola
como os homens dignos sucumbem na guerra.
Lá saber, sabiam.
A mão firme empunhando a espada ou a pistola,
morrendo sem ceder nem um palmo de terra.

Pois é.
Mas veio de lá a bomba, fulgurante como mil sóis,
não lhes deu tempo para serem heróis.

Eles bem sabiam que o último pensamento
devia estar reservado para a pátria amada.
Lá saber, sabiam.
Mas veio de lá a bomba e destruiu tudo num só momento.
Não lhes deu tempo para pensar em nada.

Agora,
na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
são quinhentos mortos com os olhos abertos.

António Gedeão, in 'Linhas de Força'



Que heroísmo é este? Que luta nos leva a levar para cenários de guerra jovens e não tão jovens soldados, deixando-os lutar num sopro sem fim de glória fingida, numa luta infindável de patriotismo inflado, numa morte indigna de pouco heróica que é?

As lutas mais dignas são as que se fazem sem armas de fogo, são as que tornam gerações em Gerações, as que têm um cariz humanista e visam mudar o paradigma e a mentalidade vigente. Por vezes
- gostava de ter vivido na época do 25 de Abril
- o que é isso
perguntam vocês. Que época foi essa? Mitificada pela poeira da estória que nos é contada, pouco polida na memória dos pais e avós que nos transmitem, esta época é, continuo a crê-lo, um dos maiores períodos de participação civica da nossa História. Todos tinham ideias a expôr...
(- ideas estúpidas, 'tavamos bem era com o salazar)
não era?

Falta na nossa sociedade essa vontade que julgo ter existido, essa força comum, esse crer na
-democracia, é este regime que habitamos?
- "o pior de todos, excepto todos os outros"
Bom velho Churchill... Será que é um ideal para se viver? Voltar a credibilizar a classe política? Devolver ao país a esperança?

Eu digo que não.
- o quê, diogo?! Tu que és todo de mudança e não sei o quê, não acreditas nisso? Nem tu?
Nem eu. É insensato acreditar que passar a minha vida a lutar pela credibilização da classe trabalhadora mais descredibilizada no país (e quem sabe no mundo) é algo atingível em vida. É e sempre será nobre, mas é e sempre será inglório, destruidor da pessoa que luta, e necessitado de seguimento nas gerações seguintes.
-quero simplesmente ser feliz
como dizia em puto, e sei que nunca o serei se só dedicar a minha vida a isso.



Obrigado pela intervenção, mas este que fala em itálico não sou eu. Este seria o meu discurso se não fosse teimoso. Não, não vou dedicar a minha vida só a isso, mas não esperem de mim a resignação. Convencerei todos quantos for possível de que mudar não é uma palavra em desuso. Tenho a certeza de que vou chegar à conclusão que isso só se faz com passos simples. Não posso procurar passos de gigante pois nunca os atingiria e estaria a condenar-me ao pessimismo após a derrota ou ao optimismo insensato e sem qualquer sentido de realidade.

Comprometo-me aqui, e perante todos os que quiserem ouvi-lo, a tornar portugal em algo maior. Quero viver para falar com todas as classes sociais, visitar todas as latitudes do país, conhecer todas as opiniões sobre o melhor para nós, maturar tudo o que vi, ouvi e tacteei e criar o melhor que já viram. Não vou ser mais um. Não posso ser mais um. Não me vou enfiar num partido a não ser que precise mesmo disso para atingir este fim, vou pedir ajuda a todos e vou tentar ajudar quase todos - mesmo os que me recusarem auxílio. Quero criar a melhor equipa que já viram, uma equipa com um espectro político diversificado, uma equipa que não se guie pela ideologia mas pelo ideal de acção, que busque consensos e aquilo que acha que é na realidade o melhor para o país. Vamos errar. Vamos ser criticados e vão-nos travar o caminho, mas não atacaremos na mesma moeda. Quero um grupo de pessoas que não estejam interessadas neste projecto como um meio para a popularidade ou para um melhor salário, mas sim que se revejam nesta vontade. Só com uma equipa espalhada pelos diversos sectores do país é que conseguiremos atingir este fim. Só com uma vontade comum, com uma vontade explícita de agregagação em torno deste objectivo, com uma dignidade que muitos julgam perdida e com uma força que muitos julgarão não termos, só assim chegaremos a algo. Quero congregar Portugal e projectá-lo no mundo como uma nação pela qual vale a pena lutar. Quero ouvir todos os sectores de actividade do país
-alguém tem uma lista de profissões existentes neste cantinho da europa? Estou a precisar duma...
Só descansarei quando tiver um certo à frente de cada profissão em como já falei com eles e já recolhi a sua opinião. Vou fazer um mostruário de medidas necessárias para um país melhor e espero viver para o pôr em prática.
-chamem-me idealista! Chamem...! Chamem-me doido varrido, irrealista, insensato, demasiado isto ou demasiado aquilo
será um prazer ouvi-lo. Serão elogios. Chovam-me com críticas em relação ao que fizer mas venham-me com elas estruturadas e construídas. Não me venham com ataques à vida pessoal mas sim com projectos a dizer-me o que está de errado no que faço e o que posso fazer para melhorá-lo. Nesse momento serão mais um na nossa equipa. Vou precisar de braços direitos, esquerdos, pernas, pés, cabeças, troncos... E vou precisar de pessoas muito melhores que eu, que vejam muito para lá de mim e me elevem ao seu nível. Só tenho um pedido para vocês
- ajudem-me
e uma pergunta
- quem está comigo?

Espero daqui a uns anos continuar a ser o rapaz que escreveu este texto, espero comover-me ao lê-lo. Se me estiver a desviar desta pessoa, por favor avisem-me e ponham-me novamente no carril. Venham para o carril comigo. Guiem-me.

Não vou ser um político, vou fazer política.



Dedicado a todos os que já sonharam e concretizaram uma mudança que os restantes criam impossível.
Carpe Diem
Diogo

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

What's life made of?

algures em 2008, escrevi isto...:

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A vida é marcada por passagens.
O resto é porosidade etérea e nadas cheios de um nada ainda maior.

Passamos por pessoas, passamos por lugares, passamos por momentos, passamos por sentimentos, passamos às vezes só por passar.

Isso revolta-me. O sentimento de revolução é dos sentimentos mais fortes que existem. A início fixa-se apenas um objectivo, um propósito, uma razão. Quando a necessidade de mudança é tão enormemente grande, somos assaltados por aquele instinto mordaz...a Revolta. A Revolta impõe-se em tudo, a Mudança. (Admiro esta palavra...!).

Precisamos de mais malucos na rua a gritar pelos seus altos propósitos. Ao menos esses enchem-se de vontade e lutam na sua contestação, de punho erguido (e andar ziguezagueante), pela sua tão (in)contestável verdade... Porque é que será que vejo tanta acrasia no modo de vida de cada pessoa? "Isto está mal!", "Aquilo devia ser mudado!","A vida está difícil para todos!"... Depois, em vez de se esforçarem por mudar isso, por criar algo melhor a partir da podridão... mantém tudo igual. Para que existem os pensamentos senão para dar lugar a acções?

Passamos muito ao largo da vida. Raros afortunados foram os que desfrutaram dela com verdadeira Paixão. Sim, disse Paixão. Sou completamente apaixonado pela vida. Viver é uma arte. Todos somos actores neste palco, mas só esses raros conseguem o papel principal. Vemos a vida por vezes como um casamento - se já a temos, para quê seduzi-la? Para quê namora-la? Podemos simplesmente tê-la e passar o resto dos nossos dias com ela sem lhe dar grande importância... (Revolta-me!).

Vivo demais, eu sei... Cada momento é aproveitado para um sorriso, para uma alucinação, para desfrutar desse Prazer. Faz-me um mal sarcástico. É um certo escárnio. O que digo é quase igual ao que faço, e ainda assim, sei que vivo demais. Até no amor deve haver limites... Barreiras invisíveis que nos façam parar quando a cegueira nos ocupa todo o ser, entorpecendo a alma. Caminho no limiar, desequilibrando-me constantemente para o lado do abismo, mas mantendo um equilíbrio estável. A estabilidade é conseguida com muitos braços, muitas mãos, muitos beijos, muitas palavras. A cada acontecimento destes parece que adquiro um novo andar nessa corda do limiar. Ando mais direito, com mais certezas.

Sei que viver é a minha profissão.
Vivo verdadeiramente em tudo o que faço. Vivo para Viver.
Desculpem aqueles que desiludo, desiludi e desiludirei. Só vocês realmente me dão a tal estabilidade. Só vocês são indulgentes com cada abanão que tenho. Só vocês...
São muitos eu sei, são também apaixonados, talvez não tanto como eu, mas igualmente malucos. Digo malucos, pois parece a palavra mais adequada no nosso não-vocabulário para exprimir "os que lutam e defendem os seus propósitos com todas as suas forças"...Não amaldiçoes a chuva, deixa-te ficar na rua e sente o prazer do seu toque! Não amaldiçoes a planta que te pica a delicadeza da perna (e do ser), chega-te antes ao pé dela e observa a sua beleza! Não amaldiçoes o conselho de um pai ou de uma mãe, escreve-os e verás neles verdades incontornáveis! Não amaldiçoes um livro que te mandam ler, lê-o e aprecia a sua mensagem, acaricia a macia sabedoria das páginas de papel! Não amaldiçoes o maluco, chega-te ao pé dele e será a pessoa que mais verdades te dirá em toda a tua vida! Não amaldiçoes o pobre, ouve-lhe a história e fica admirado com a falta de oportunidades que teve!

Vive cada momento compreendendo o que podes desfrutar nele.
Valoriza o som, o toque, o gosto, a visão, o cheiro...
Pensa como foi a tua vida, se morresses agora...
Já pensaste? Muito bem! Agora diz-me, valeu a pena tudo o que fizeste ou houve algo que ficou por dizer naquele momento, algo que ficou por viver naqueles instantes, algo que poderias ter mudado e não mudaste.
Só terá valido a pena, se não houver um "mas"!
A vida é feita de passagens, meu amigo...!


Carpe Diem
POR: DIOGO

Sai um quente e frio com um sorriso

 Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Todos os dias saio de casa por volta das sete e meia da manhã. Deambulo até às escadas, ziguezagueio pelos degraus e caio no assento do carro. Por um caminho de terra, uma estradinha mal alcatroada, uma estrada alcatroada e uma auto-estrada alcatroadíssima chego ao céu
- ao céu diogo?!
- sim, ao Céu. No alto de um monte, à altura dos moinhos, um laranja ofuscante. Todos os dias. Todos os dias um laranja ofuscante. Os primeiros sinais são o céu azul, arroxeado, cor-de-rosa e alaranjado. É necessário subir mais alto para O receber. Um círculo desenhado no tecto do mundo.

Quente. Quente como a felicidade e o deslumbramento.

Todos os dias. Todos os dias liberto, da prisão que são os meus olhos, uma gotícula de água e sal (aquilo a que chamam lágrima). Escorre-me face abaixo. Preenche todos os buraquinhos do meu coração, todos os cantinhos onde há mágoa ou frustração, ódio, raiva, ressentimento... Calma. Acalma-se o coração e sai-me a emoção. Escorre-me o mar e é o sal que fica, como lembrança de onde pertenço.
- de mim vieste e deixo-te um pouco de mim, diz-me
O mar. Quantas confidências me conta. Abre-se o horizonte e observo. Tejo. Lezíria. Névoa. Longe. Miragem. A água corre no retrato, tudo o resto fica imóvel. Só, a água corre neste retrato. Quando passa reflecte, o sol e dá-me um quadro. Todos os dias. Recebo um quadro todos os dias. Guardo nesse livro de bolso (aquilo a que chamam memória) e anoto na página do hoje. (Não devia pôr dias pois todos são hoje. Ponho só porque sou do contra. Contra a corrente que me liga ao ontem e me prende ao amanhã).
- aos dezasseis dias do mês de outubro de dois mil e nove recebi um quadro. Era uma peça de teatro. No cenário estava desenhado um sol enorme, tão grande que se fosse criança teria pedido ao meu Pai para guiar em direcção a ele e lhe poder tocar. "Só um dedinho Pai, não te peço mais do que isso". Corriam, de um lado para o outro, carrinhos de brincar e formigas enchiam o palco. Havia umas linhas cinzentas no chão e algumas casas feitas de lego. Daquelas que se constroem e destroem consoante as histórias que se quer contar. Mas sabes o que me marcou, memória? O sal que me ficou numa linha até aos lábios e o rio que, imune a todos os segundos, a todas as histórias, a todos os carrinhos, a todas as formigas, a todas as linhas cinzentas, a todas as casas, corria sem parar. Sabes o que me marcou, memória? Acho que, num dado instante, ele parou. O rio parou e olhou para mim. Os meus olhos, com a ansiedade daquele momento, tiraram uma fotografia.
Foi nesse momento, nesse preciso momento, que o rio entrou em mim e eu nele.

Frio. Frio como a felicidade e o deslumbramento.

Escorreu, tocou-me os lábios, entrou em mim. O quente e frio que tomo todas as manhãs alimenta-me para o resto do dia e dá-me sentido para todos os hojes que vivo.
- o que é que deseja?
- um sorriso, e é o que recebo
Todos os dias. Todos os dias recebo no café da esquina (aquele com o bonito quadro) o meu quente e frio com um sorriso.

POR: DIOGO
Carpe Diem

Pulgas (1)

Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Estou, como afirma o vulgo, em pulgas.
Sim, estou mesmo em pulgas.

Há seis anos pegaram em mim, rapaz de onze primaveras, e trouxeram-me para longe do mar. Sonhava com muito, tinha poucas certezas... Uma, no entanto, foi-se cimentando ao longo do tempo decorrido. Quero voltar para o mar.
"Há mar e mar, há ir e voltar". É verdade. Fui e volto sempre que posso para senti-lo. A água, a areia, o sol, eu, o meu nascimento, o lugar a que pertenço.
- quando voltar volto com uma prancha
dizia eu. Digo eu. E o momento está tão próximo...!

Respirei durante anos o ar de terra para poder lembrar-me do que me faz falta o sal do ar, quando estou junto a Ele. (Ela, aliás, A Mar). Hoje não respiro, suspiro, tomo goles de ar bem fundo. Inspira. Expira. Inspira. Expira. Anseio.

Estou em pulgas.
Na terça feira comprei um fato isotérmico. Cheguei à loja e
- olha podia ser a minha prenda de
Natal. Tirei medidas a olho, telefonei para a Carol dez vezes (não me atendeu, claro) e fui para os provadores. Medida perfeita. Escuso-me obviamente a dizer que já o vesti em casa várias vezes e que esta noite não dormi pois sonhava acordado e nervoso. Sonhava que estava numa prancha, ondas de 4 metros mas eu na espuma. Um vulto na praia a dar-me instruções e eu na água. A regressar. Sonhava com o meu primeiro dia de surf. Sonhava com a próxima terça-feira.

Já me levanto correctamente no chão de soalho do meu quarto. Estou em pulgas.



Carpe Diem
DIOGO DA SILVA

domingo, 7 de novembro de 2010

Felicidade...



-o que queres ser quando fores grande?
perguntava-nos quando sabiam que a nossa sapiência não chegaria a tanto. Vinham-nos então, na ponta da língua, profissões como:
-bombeiro
-jogador de futebol
-polícia
-astronauta
Crescíamos uns anos e a resposta passava a
-quero ser feliz.
O que é então ser feliz? Como se chega lá? Está reservado a ricos e santos ou eu posso ser feliz? Será que existe "aquela terra de suavidade"?

Assim como não se é triste, conformado, zangado, solitário... não se é feliz. Está-se feliz. A felicidade é simples. É um momento ou sucessão de momentos de alegria. Sente-se aquele calor confortante, os lábios afastam-se para desenhar o sorriso e está-se feliz. Poderia enumerar o rol de processos fisiológicos que levam à felicidade. Mas não, não é isso que me interessa. Interessam-me os motivos, o gatilho que dispara a adrenalina, a primeira peça do dominó.

Pergunta-te. Responde-te. A mim não me importa a tua conclusão. Preocupa-me apenas que haja tantos indivíduos neste mundo que não se questionam.

-a mim faz-me feliz o tilintar da moeda no copo do sem-abrigo, o sabor doce do morango ao passar na língua, os olhos de quem gosto repousados nos meus, o laranja intenso do pôr-do-sol na praia, a gargalhada de um bebé, o sucesso após o trabalho, a calma de uma noite deitada num saco-cama a olhar as estrelas, o vento que me despenteia mas faz sorrir, o calor de um abraço, uma carta de amor, aquela pequena prenda que não estava À espera... Nesses momentos sereno. Suavemente esvazio-me de todos os problemas que tive, tenho ou terei e estou feliz.

Não fiques à espera dos motivos para a tua felicidade, procura-os. Busca. Luta. Conquista. Vive. Descobre a felicidade. Saberás sempre que ela se vai, mas não desitas que ela não desistirá de ti.

Procura "aquela terra de suavidade" e...
...vive a procura.

Para RGF
CARPE DIEM
Diogo

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não há pessoas inatacáveis

Tenho-me vindo a aperceber que não há pessoas inatacáveis, de facto.
-sim, diogo, grande conclusão a que tu chegaste...
dirão vocês.

Com os poucos anos de vida que tenho, estou a atravessar a fase do iluminismo, uma fase em que tudo parece diferente - dão-nos espaço para sermos idílicos, saltarmos do senso comum para a censura comum, imaginar que o mundo pode ser melhor, que as nossas mãos podem ser as primeiras a mudá-lo, que os nossos pés vão passar fronteiras nunca antes atravessadas, que podemos deixar "isto" um pouco melhor do que o encontramos.

Não será fácil, mas é concretizável.

No seguimento desta vontade de renovação, vi-me envolvido com a campanha presidencial do doutor fernando nobre. Um homem de valores, que já provou o seu Humanismo, que já lutou por muita injustiça, que já deu muitas dores de cabeça a governantes e empresários por esses países fora, que já salvou muitas vidas. Sim, ele fez isto tudo
(-porque não um pouco de iluminismo à mistura?)
(sorrio)
Após pouco mais de um mês de divulgação, já ouvi muito. Já conversei no chiado com a senhora Isidora, angolana radicada na graça, que veio para cá
- quase sem tostão!
e cujos filhos são hoje advogados e também atentos à política
- o meu João está agora a trabalhar, ele também anda nessas coisas da política, é da cdu acho eu, sim, é da cdu sim, mas eu levo-lhe este papelinho, que realmente temos que mudar as coisas, não podemos ficar indiferentes e o senhor Nobre parece-me bem, eu também já fui lá à ami
-soraaa Isidora!
-vês, era a minha vizinha, isto somos gente pobre mas simpática, olha, sabes o boss ac, esse também já la foi a minha casa, fiz-lhe assim uma bela cachupa, ele vinha lá com os meus filhos e os amigos todos, convidava-os sempre para minha casa e vinham aos dez, bem que eles gostavam da minha cachupa.
Vinte minutos com a senhora Isidora e outros tantos com a Senhora, outra idosa que encontrei na zona de alvalade que quando o meu
- já conhece o fernando nobre?
lhe chegou ao andar apressado, até me disse
- não não, não conheço
- há bocado até disse isso para te despachar,
revelou-me passados uns minutos. Também me chegou muita indignação. Quando mandei pelo facebook uma mensagem pedindo ajuda para a campanha e com o intuito de defender os não interessados com um "se não querem receber mais mensagens destas digam-me que eu tiro-vos da lista", uma das respostas que me chegou foi
- ainda temos que te mandar mensagens para ti a dizer que não queremos? Devias era perguntar quem é que queria.
Pouco depois escrevi no meu estado uma declaração alegando falta de interesse da comunicação social em relação à candidatura e denunciando as tentativas de denegrimento da sua imagem. Entre vários números (6% nas sondagens, minutos de tempo de antena...) coloquei "25 000km pelo país". Nova resposta da mesma pessoa
-com tantos números, quanto é que o candidato em questão já gastou dos dinheiros públicos em campanha? Só para saber quanto tenho de pagar do meu salário para a brincadeira! =)
e talvez tenham razão. Até mesmo a distribuir panfletos chegam situações do género
- nesse carro só cavaco, só cavaco
passados cinco minutos quando vinha a descer a rua
- nesse carro só cavaco, só cavaco.
E novamente no facebook
- pá!
- como é que te deixas cair nisso?


Não há ninguém que consiga chegar aos seus cinquenta e oito anos sem ter nada que se lhe aponte de mal no currículo. É fácil apontar defeitos. Olhem para mim: falta-me humildade por vezes, ajo de forma egoísta na maioria das ocasiões, não decoro as notas de ninguém (nem mesmo as da minha namorada nos exames nacionais), trato de inventar tudo e mais alguma coisa para não ter que cavar ou cortar ervas no terreno de um hectare em que tenho a casa; e tenho tantos outros defeitos. Ainda só vou nos dezoito anos, onde é que isto irá parar quando tiver mais cinquenta...


Como é que me deixo cair nisto? Iluminismo, meus caros amigos.

Sim, fernando nobre é atacável. Sim, tem defeitos. Sim, alguns graaaandes defeitos. Sim, já deve ter gasto dinheiro público. Sim, se calhar estou a perder o meu tempo. Sim, há muita gente de respeito contra esta candidatura. Sim, há muitas boas razões para não votar nele. Sim, estamos quase todos cansados e desacreditados na classe política. Sim, o normal é fazerem muita asneira. Sim, a ordem de despejo da sede de candidatura é bem real.


Mas sim, eu acredito que o cargo de presidente da república pode passar a presidente da República. Sim, eu acredito que fernando nobre merece o seu último apelido. Sim, eu acredito que não é ficando parado que vou mudar alguma coisa.  Sim, os jovens podem mudar o mundo. Sim, todas as gerações têm a oportunidade de ser a geração da renovação. (Sim, estou a escrever furiosamente no teclado). Sim, temos que mudar mentalidades. Sim, não há só portugueses pessimistas, há Portugueses que se querem orgulhar do país que têm. Sim, prefiro votar no minimamente bom do que nos menos maus. Sim, ele vai perder o meu voto logo que me desapontar.


Tenho dito.


p.s.: aproveitem a vida!
CARPE DIEM
Diogo